22 de fevereiro de 2017

Monologo de lotérica.

Olhe bem no fundo dos meus olhos:
Na distancia de apenas um senhor de mim, no qual você conversava, como uma lente de câmera, meus olhos focaram nos seus, verdes. Verdes como folhas do orvalho, um verde embasado meio marejado. Senti que era apenas uma conversa de fila de lotérica aleatória, onde ouvia-se concordâncias do tipo, ah sei, huhum, legal e tudo bem. Não, não estava tudo bem, foi impacto de instantes, foi um foco de olhar automático, reparei na boca avermelhada, mais vermelha do que eu com batom cereja, realçado pela água da garrafa em suas mãos, reparei também sua mania incessante de passar os dedos sobre a barba, e ali parei e me hipnotizei.

Teve um leve segundo que acho que ele reparou em mim, pois a cara de psicopata estava marcante, mas o desconhecido lhe interessava mais, enquanto a fila não andava. Era um tipo de rapaz que não me encantava, mas admirava.
Próximo por favor: A moça do caixa o chamou.
Uma fatura de cento e poucos que dê longe deu para ver que era do Santander, um troco de dois reais e uma costas virada, foi embora o rapaz de falas vagas, calças largas e mochila empoeirada, transmitindo alguns minutos de calma a essa câmera ocular que o admirava.

Próximo ! – A moça gritava.




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