5 de novembro de 2011

{Resenha} Marina


Oi, aqui é a Livy. Hoje trago para vocês uma resenha de um livro fantástico do qual eu tive a oportunidade de ler, e fiquei encantada. Estou falando do livro Marina de Carlos Ruiz Zafón, publicado mês passado pela Editora Suma de Letras. Confiram:



Marina
Carlos Ruiz Zafón

Tradução: Eliana Aguiar
ISBN:
9788581050164
Lançamento:
03/10/2011
192 páginas
Preço:
R$ 24,90
Editora: Suma de Letras
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5)
Sinopse: Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Óscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Óscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Óscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.

Para quem já leu os outros dois livros de Ruiz Zafón: A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo (ambos editados pela Editora Suma de Letras), sabem perfeitamente o que vão encontrar neste novo título do autor. Em Marina, Zafón repete a dose dos livros anteriores, provando, definitivamenteque, que é um excelente contador de histórias.

Aos iniciantes, nada mais correto do que lhes sugerir que comecem pela A Sombra do Vento, depois O Jogo do Anjo (que é quase uma continuação do primeiro) e, logo em seguida, Marina. Não que exista um elo de ligação entre esse terceiro volume e os dois anteriores. A dica seria mais para que vocês assimilem todas as nuances do estilo narrativo impressionista, quase gótico, criado por Ruiz Zafón. Uma atmosfera de suspense e mistério sui generis, criado pelo autor desde o primeiro título, a qual se desenvolve com sutileza e maestria, como em uma tela de pintura. Onde luz e sombra são pinceladas com um toque de nostalgia.

Diga-se de passagem, Carlos Ruiz Zafón é um verdadeiro mestre do thilher de suspense e mistério. Senão o melhor, um dos melhores que já tive o prazer de ler.

A capa do livro é bem atrativa, com um toque sobrenatural, evocando sutilmente o contexto narrativo do livro. Aliás, gostei muito da capa, com esse toque meio onírico, meio surrealista, como uma coisa saída dos sonhos...Excelente!

Marina é um thriller de suspense e mistério, com um toque de sobrenatural e algumas pitadas bem interessantes de terror. Ah, também tem romance, obviamente. E de drama também. Um drama profundo, humano, marcante e arrebatador. Para ser franca, mais de um. Mas quero deixar claro que Marina não é um dramalhão. Nada disso. Ruiz Zafón sabe mesclar esses valores em sua obra: suspense, mistério, crime, amor, paixão, romance, sem exageros, chavões ou pedantismo. Seu drama não é piegas, mas humano e verdadeiro.Realmente nos identificamos lendo. Porque o drama apresentado poderia, perfeitamente, ter acontecido com qualquer um de nós.

Em Marina, assim como nas duas obras anteriores, Ruiz Zafón traz uma narrativa pontuada por uma escrita viciante, carismática. Suas ideias fluem naturalmente sobre o papel, marcando-o com traços sutis e generosos de muito suspense e mistério. A atmosfera tem um toque impressionista, cheia de sombras e desvãos, onde é possível adivinhar formas obscuras rastejando-se de um lado para o outro, sempre a espreita, dando-nos também um certo glamour noir, como nos filmes dos anos 1950.

Neste cenário meio gótico da Barcelona da década de 1970, desfilam personagens que parecem saídos de um daqueles filmes dirigidos por Tim Burton: sombrios, enigmáticos, amargurados, ansiosos por encontrar perdão, amizade, amor, esperança... Aliás, penso que Marina ficaria perfeito na telona se fosse dirigido por Tim Burton ou por Guillermo Del Toro. Pra começo de conversa, achei que a atmosfera de Marina evoca perfeitamente a de O Labirinto do Fauno, filme dirigido por Del Toro. Quem já teve a oportunidade de ver os filmes desses dois diretores sabe do que estou falando.

Dentre os personagens do livro, me apaixonei pelo drama de Óscar e dos seus novos amigos, Marina e Germán. Drama envolvente que nos prende desde a primeira página até a última, ao redor dos quais gira uma gama de outros personagens intrigantes, assustadores ou inteligentes, carregando atrás de si uma névoa de mistério e terror. E por falar em terror, achei as cenas da estufa e das galerias de esgoto, super apavorantes. Foi de arrepiar!

De original, Ruiz Zadón tem a capacidade, senão o poder, de transformar em escrita aquilo que nós só veríamos em filme. Quando se lê seus livros, se tem a impressão de vislumbrarmos diante dos olhos o que o autor está nos contando. Naturalmente, essa é a função de todo bom contador de histórias, não é mesmo?

Antes de concluir, quero acrescentar que Marina é narrado na primeira pessoa, sob a ótica do personagem Óscar, um jovem adolescente que vive em um internato. Na visão desse personagem, iremos conhecer o drama existencial de Marina e, de igual forma, nos aprofundarmos num mistério sombrio que envolve a "Dama de Negro", uma mulher misteriosa que visita um cemitério mítico oculto nas brumas de Barcelona que, certamente, deixará você de cabelos em pé. Eu fiquei, confesso.

Bom, o que mais eu poderia dizer... Em suma, Marina tem excelente narrativa, uma boa história, personagens maravilhosos, drama intrigante e dolorosa, suspense angustiante, mistério sombrio, terror, assassinatos... Tudo o que um bom livro do gênero deve ter. Além disso, só falta dizer que gostei muito do livro?! Obviamente que sim. Depois de tudo o que disse acima, nem precisava dizê-lo. Marina não fica nada a dever aos dois livros anteriores do autor. Carlos Ruiz Zafón conseguiu provar que, em 189 páginas, não é preciso escrever um livro de seiscentas e tantas páginas para se contar uma boa história.

Confesso que fiquei com um gostinho de quero mais quando terminei o livro, não pela falta de páginas, mas pela história envolvente que me arrebatou dede o início. Tanto, que o final me fez chorar de emoção. Depois de toda a tensão sofrida ao longo da leitura, o final é de uma dramaticidade marcante. É impossível não chorar...
 NOTA EXTRA:
HISTÓRIA =  ♥ ♥ ♥ ♥ ♥  (5/5) 
NARRATIVA = ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5)
PERSONAGENS =  ♥ ♥ ♥ ♥ ♥  (5/5)      
ORIGINALIDADE =  ♥ ♥ ♥ ♥ (4/5)
REVISÃO/ TRADUÇÃO =  ♥ ♥ ♥ ♥ ♥  (5/5)      
CAPA/ DIAGRAMAÇÃO =  ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ (5/5)  

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